Trump convida Lula para integrar Conselho da Paz em Gaza
17 de janeiro de 2026
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do chamado Conselho da Paz para Gaza. Segundo fontes do Palácio do Planalto, na próxima semana Lula deve avaliar e divulgar oficialmente se aceita ou não o convite.
O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou ter sido convidado. Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei afirmou que será “uma honra” acompanhar a iniciativa presidida pelo próprio Trump e integrada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Os outros integrantes convidados são o empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump que atua no Conselho de Segurança Nacional.
Trump anunciou a criação do Conselho, que considerou um elemento-chave da segunda fase do plano respaldado pelos EUA para encerrar a guerra no território palestino. “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, ressaltou Trump.
Segundo a Casa Branca, o Conselho da Paz vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
O presidente americano designou o major-general Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza, que terá a missão de manter a segurança no território palestino e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas.
Desde o início do conflito, em outubro de 2023, Lula tem reiterado críticas às operações militares de Israel na Faixa de Gaza. O presidente brasileiro defende um cessar-fogo imediato e a criação de um Estado palestino. Esse histórico de declarações pode colocar Lula em uma situação diplomática delicada diante de Trump.
Caso aceite o convite, o presidente brasileiro poderá ser cobrado por coerência com as críticas que fez ao papel de Israel em Gaza, uma vez que a iniciativa é conduzida pelos Estados Unidos, principal aliado do governo israelense.
Por outro lado, uma eventual recusa também pode gerar custos diplomáticos. Lula pode desagradar o presidente norte-americano – de quem ensaia aproximação desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.